
Eu gosto de fazer análises selvagens elaboradas em menos de 1 minuto. Sim, eu gosto. Com os amigos, nas cantinas cheirosinhas da faculdade, em conversas informais sempre tem aquele sujeito que te conta uma coisa e você, pobre estudante-de-psicologia-com-conhecimentos-pela-metade já vai logo dizendo "isso é mania de perseguição, isso é paranóia!" ou então "ele só está fazendo isso porque você não pára de reforçar o comportamento dele" e coisas do tipo. Não como psicóloga (o que obviamente eu não sou) mas como uma pessoa que já viveu um certo tempo, conhece um pouco os amigos e um pouco as pessoas acho que tudo que eu disser pode ser usado contra mim, mas nem por isso precisa ser jogado fora. Vamos pensar: o que são análises selvagens? são análises rápidas que usam (na verdade, nem sempre) termos da psicologia para falar sobre coisas que você acabou de ouvir e, imediatamente, encontrou alguma explicação/coerência/mecanismo relativa áquela fala específica, e não a todo um processo terapêutico. Exemplo : "- Ai Mariana, eu odeio fulano, mas não consigo ficar longe dele, não sei porque" "- Ah, mas isso aí é porque na verdade amor e ódio são apenas valores diferentes dados a uma mesma quantidade de libido investida em fulano, ou seja, ele é muito importante pra você, e por isso você investe tanto. Essa coisa de ódio aí é só seu ego querendo se proteger". Eu sei, parece brincadeira. E ás vezes é. Mas aí é que está. O legal da interpretação selvagem é exatamente seu valor não-terapêutico. Se formos parar pra pensar, uma conversa descontraída ou uma brincadeira é um dos ambientes mais propícios à uma reflexão sem tantas barreiras, sem tanta racionalização. Quando se está em situação terapêutica há uma sala para falar de coisas que nem sempre você quer falar e ouvir o que nem sempre quer em um período de tempo determinado com uma pessoa praticamente desconhecida. Ali suas resistências são "quebradas" "dribladas". Deitado no jardim da escola de música você não está, digamos assim, com as resistências especialmente colocadas a postos. Então se você ouve uma "análise" assim, de supetão, independente de fazer ou não sentido, é bem possível que pelo menos a uma reflexão essa conversa vai proporcionar. Obviamente, a análise selvagem não chega nem perto de uma terapia verdadeira hardcore. Mas como minha mãe mesma disse outro dia: "fala pra sua psicóloga que o que mãe diz também tem valor, que não é só o que ela fala não tá!". Eu concordo. A teoria e a prática de um profissional que estudou, se formou e "está pra isso" é inegavelmente um ótimo caminho pra quem busca mudança, autoconhecimento ou "cura", mas a experiência de vida, essa, tão relegada pela elite acadêmica, também tem seu valor. E se essa experiência se mistura com algum conhecimento sobre psicologia e uma cervejinha depois da aula, porque não valorizar?
texto muito bom!!!!!
ResponderExcluirMesmo que a análise seja selvagem, e que a pessoa não se identifica com ela, serve pra umas boas risadas e discussões, mas, se servir..é pq vc é muito boa na análise.
Hum...Análises selvagens são, como se pode dizer...fundamentais em uma boa amizade!!!!! Afinal, amigos fazem isso o tempo todo, só que não se usa esse termo técnico.
ResponderExcluirE não acho que são tão dispensáveis, se vem de pessoas que realmente te conhecem. Porém, caso venham de um desconhecido são, simplesmente, um chuta no escuro ^_^ (Ps.: muitos são de fato...)